Fiz 7 anos de blog e olha no que deu


Nossa senhora da falta de responsabilidade com o blog, como eu demorei para aparecer por aqui.
Não por falta de tentativa, não mesmo. Tenho tentado escrever no meio-tempo entre as aulas, entre os fins de semana… Não consegui. Vivo falando que não estou conseguindo manter as coisas por conta da faculdade e: é verdade. Nunca mais nessa vida eu pego nove matérias outra vez. É preciso viver também: fora da faculdade — por mais difícil que seja quando passo 12 horas fora de casa.

Mas não é sobre isso que vim falar. Ainda bem, né? Seria um saco.

 Fiz 7 anos de WordPress.

7 fucking anos.

Mais velho do que uma pessoa que nasceu em 2010. E olha que 2010 foi ontem.

Isso não é incrível, na verdade, isso é assustador.

É uma bosta de assunto para vir tapear esse buraco entre as postagens do blog. Expliquei os motivos, mas sempre parece que é por pura preguiça e irresponsabilidade. Só que eu não estou mais em 2009, nem com 13 anos. Não tenho mais aquele tempo disponível, mas também, naquela época, não havia tanto da habilidade linguística adquirida. Uma época em que eu falar “decadência” era super cool e me fazia sentir a intelectual sabichona. Pobre e reles mortal Mariana.

Vou parecer aquelas tia velhas contando uma história repetida para dar uma lição de moral no final das contas. Mas relaxa, eu só tenho 20 anos. Ou pode ser pior: uma lição de moral de uma velha-chata de 20 anos.

Eu tenho 7 anos de blogosfera. Na época em que dizer “blogosfera” te dava uma propriedade absurda, na época em que geral tinha uma conta no blogspot e quem usava WordPress eram só aqueles profissionais. Na época em que usávamos contador de visitas, mas atualizávamos a página do blog só pra ver acrescer mais +1 na contagem (doce e linda ilusão). Quando a gente ficava desesperado com as estatísticas mais mal feitas do mundo e nossos posts eram um lixo, mas era sensacional. Ser chamado de blogueiro era um status de respeito.

Em todos esses anos eu só  descobri que manter um blog é difícil demais. Exige tempo, dedicação, comprometimento e, nem sempre, eu estava em dia com essas virtudes. Ainda não estou. Ser uma completa desconhecida escrevendo na internet sempre foi ser a agulha amarelinha num palheiro. Um bloguezinho fuleiro no meio de um turbilhão de sites importantérrimos e gente famosinha. Quais as chances de ter algum sucesso?

Conheci muita gente nesse tempo. Todos os cantos do mundo, com os mesmos sonhos que eu. Foi bom não me sentir só com os sonhos nas costas. Uma galera enorme escrevendo e buscando seu espaço no mundo… Isso ilumina, sabe?! A gente vê as crianças nascendo com um telefone na mão, se distanciando de leitura e de escrita… Daí você conhece gente que escreve e isso te fomenta a querer ser mais.

É muito difícil ser alguém nessa vida. Mas quando você percebe que você já é alguém e são as outras pessoas que não perceberam isso, fica mais fácil de lidar consigo mesmo. A gente sempre quer ser bom, ser o melhor, mas o caminho é tão árduo e tem tantos outros fazendo a mesma coisa — e sendo tão bons quanto você. Isso dói, isso te desmotiva inúmeras vezes… Mas quando algo bom vem porque você lutou e deu tudo de si: cara, que puta sensação boa: a de viver e fazer o que gosta.

7 anos em que, muitas vezes, o reconhecimento não passou de “a-menina-que-escreve”, mas que passou, hoje, a ser a “Mare“. É louco demais quando sabem seu nome. E eu sobrevivi para contar essa história… perdendo uma porrada de batalhas e desistindo de uma porrada de coisas. Mas eu fiquei. A Mare ficou.

E tenho visto cada vez mais pessoas vindo assistir essa bagunça que sou eu e minhas palavras. Quero agradecer aqui aos seguidores do blog, que sempre fazem minha caixinha de notificação ter novidades. Isso me faz bem demais e sei que preciso voltar a ter mais comprometimento por vocês. Obrigada por me lembrar os porquês de eu escrever, eu precisava disso.

Bem, são sete anos escrevendo e não desistindo por desestímulo nenhum. Faço o que gosto, com tudo o que tenho, com o melhor que posso oferecer — e é isso o que eu continuarei fazendo mesmo que não hajam seguidores para contar a minha história, para compartilhar das minhas palavras. Farei, porque primeiro, faço por mim, com todo o egoísmo que a escrita me permite; e faço por vocês, que cada ação me fomenta a ser melhor, cada comentário ou like me fazem reafirmar estar no caminho certo. Isso não tem preço nem gratidão suficiente. Obrigada!

Obrigada por estarem aqui para me ver sete anos depois do que fui um dia. Inclusive os dois migos dos EUA que sempre aparecem nas minhas estatísticas com uma frequência linda, e o pessoal de Portugal e outros países longes demais da conta que eu vejo e morro de amores (e me pergunto como que foi que me acharam, mas obrigada viu? <3)

Eu só espero mais sete anos, sete décadas. Bem daqueles discursos piegas de data comemorativa. Aqui escrevo dos sete anos do meu mais duradouro relacionamento sério: o poliamor de mim, comigo mesma e minhas palavras.

Espero também ter mais vergonha na cara para fazer posts (decentes!) para vocês.

E se meus anos de experiência valem de alguma lição de moral, só para fazer valer a analogia da tia chata: não parem de escrever, não parem nunca.

– Não, eu não sou velha; ainda sou uma criança, não sei de nada dessa vida (ainda bem!). Tenho muito a aprender e muito a ensinar. E essa é a verdade. Não vou me descobrir nunca e possivelmente não deixarei de escrever — essa sou eu.


É o que tem pra hoje,
Mare

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