Sobre o passado presente na memória


Sou uma pessoa extremamente preocupada com memórias. Guardo recordações, cartas, coleciono dedicatórias… tenho um carinho enorme por qualquer coisa que me remeta a bons momentos — gosto demais de lembrá-los.

Isso me fez começar a notar, dentro da minha rotina e do meu jeitinho meio torto de ver o mundo, que tudo o que fazemos se tornam eventuais memórias para o futuro. Preservar momentos e cuidar para que eles sejam maravilhosos para serem lembrados depois se tornou natural. Por exemplo, se você faz uma viagem, está criando memórias para depois se lembrar delas… quando tudo dá certo, o carinho dessa lembrança é maior.

Todo mundo coleciona dentro de si os momentos que mais marcaram sua vida. A gente vai juntando inconscientemente nossas preciosas lembranças, mesmo que na hora nem pensemos nelas — o que é ótimo: viva o momento!

É sempre bom perder um tempinho para tomar conta das nossas memórias. Lembrar do que fomos e de quem nos tornamos, fazer aquela saudável reflexão do amadurecimento, do aprendizado. Ver se tem algo que podemos mudar tendo em vista nossas experiências passadas, afinal, nada melhor do que aprender com os erros.

Não é sobre ter um feed de Instagram repleto de fotos bonitas, é saber o que cada momento fotografado significa. E não é sobre o efeito legal, sobre a coloração do céu, do café ou almoço fotogênico, é saber o que teve de verdade naquele pedacinho de eternidade em papel. As fotos precisam despertar a lembrança do que se viveu, usar de reforço, mas não ser a memória em si. A estática da imagem não pode substituir o que se deu no momento registrado.

Poder lembrar é um dom. O presente de guardar dentro de si tudo o que se foi e o que está sendo, e poder reviver cada um deles. Sei que nem sempre as lembranças são boas, não escolhemos guardar apenas as memórias felizes, mas acho que se lembrar ainda é melhor do que não lembrar de nada. Isso ajuda a construir quem somos, por mais que nos doa uma memória — já que ela significa o passado e, por conseguinte, algo que já não temos mais.

Recordar: Do latim re-cordis: voltar a passar pelo coração

Talvez a lembrança seja boa só pelo fato de poder ser “vivida” outra vez.

 

#BEDA10


Mare

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