Mas é verdade sim!
Corre que aqui é close, baby, é babado, é confusão 

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo  (…) 

— Álvaro de Campos — heterônimo de Fernando Pessoa, Tabacaria.

A epígrafe é meramente aleatória e não tem relação direta com este post. Estou colocando aqui porque estava lendo Tabacaria e queria usar esse trechinho em algum lugar. Agradeço a compreensão.

Vou fazer uma série, que eu, neste instante, acabei de inventar, que se chama: TRETAS DA LITERATURA. Onde eu venho falar das tretas, isso mesmo!, da literatura. Se não quiser saber sobre isso, porque não é um problema seu, favor descer a página até achar as palavras O POST COMEÇA DE VERDADE AQUI. Você não é obrigado a ler essas pausas explicativas, mas lide com sua consciência se perguntando “o que tão misterioso e incrível tinha naquelas linhas que eu ignorei…?”


É porque acontece que a tão imaculada literatura tá cheia de merda também. Não necessariamente na literatura, mas também nas pessoas que falam de literatura, o que, claro, a partir de agora, pode incluir a mim mesma, porque eu estou falando de literatura também, e isso talvez signifique que quem está falando a merda sou eu. TEJEM AVISADOS.

Eu já falei de tretas literárias outras vezes e eu vou deixar uns links aqui, porque afinal, eu tenho mais é que aproveitar qualquer deixa e divulgar meu blog mesmo, então confere tudo, vê lá que the treta has been planted há muito tempo:

Gente, agora é sério.

Possivelmente eu serei apedrejada na faculdade por dizer essas palavras, mas: temos que exorcizar a Academia Brasileira de Letras.  Desculpa, mas alguém tinha que dizer. Antes que você abra a boca e grite um palavrão ou comece um textão absurdo na minha caixa de comentário, me deixa explicar.

Eu acredito que o pensamento engessado que se propaga pela ABL (e nela, quero resumir todos os escritores consagrados da nossa literatura) não daremos chances de crescimento — verdadeiro! — aos novos autores. Como se tornar um escritor que tenha reconhecimento se todos os bons adjetivos são dedicados exclusivamente ao nosso passado? Como crescer nesse meio sem ser comparado aos Grandes?

“Nunca será Machado de Assis” > Você já se perguntou se a pessoa quer ser Machado de Assis? Nem tem como ser igual a Machado!
“Não chega nem perto de Alencar” > ?????
“Não se fazem mais livros como antigamente” > CLARO QUE NÃO, NÃO ESTAMOS MAIS EM “ANTIGAMENTE”.
“Isso não é literatura de verdade” > E você sabe o que literatura de verdade? Se disser que sim está mentindo descaradamente. Estamos de olho.

Alguém importante, que eu esqueci o nome, uma vez disse que: “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. É isso. Acordem pra vida. Enquanto vocês julgarem as novas literaturas, sendo estupidamente anacrônicos, não seremos justos com as novas criações.

Temos gênios novos, que vão escrever coisas novas, de maneiras novas! Eles são bons! E não precisam criar um novo Dom Casmurro ou Macunaíma para isso. Mas a única coisa que nos parece é que não pode mais existir literatura além da que vem escrita nos livros didáticos.

Temos que abraçar e tratar bem a nova geração, porque se não NÃO VAI HAVER NOVA GERAÇÃO LITERÁRIA. Apenas superem. Aceitem que nossa literatura não vai mais ser como a de antes e que isso é INCRÍVEL! É maravilhoso que seja diferente, porque é disso que precisamos: sair da mesmice. Já temos livros sensacionais dos nossos Consagrados, vamos ver o que vem de sensacional pra essa geração!

[tenho certeza que você tá aí se coçando pra falar dos livros de youtubers, e eu queria dizer que tem muitos outros escritores brasileiros da nova geração que não são esses. O Brasil e nossa literatura, não se resume em youtuber!]

Não é abandonar nossa tradição! É aceitar que tem coisas novas maravilhosas, à seu modo, no mundo atual! E entender que pessoas constantemente são desestimuladas a escrever, porque só conseguem ver o quão difícil é ser um escritor brasileiro. Não tem espaço! As editoras se preocupam muito em publicar livros estrangeiros — e a culpa também é dos leitores, que se preocupam em ler apenas isso, porque já vem com a ideiazinha de que literatura brasileira é um saco!

Eles não estão tão errados assim. Foram condicionados a pensar que nossa literatura é ruim, porque foram impostos a ler livros que outras pessoas disseram para eles que era bons e que eles deveriam ler. Isso está muito errado! (mas é assunto para dissertar em outra treta da literatura)

Talvez a nova geração não tenha mesmo paciência pra ler os clássicos, porque os tempos são outros. A literatura é imortal, mas os leitores não. Eles mudam, eles passam a se interessar por novas coisas e novos assuntos — e novos livros. Talvez não sejamos mais a mesma sociedade que um dia amou ler todas essas coisas… E não é nossa culpa! Não significa que agora os clássicos são ruins, significa que mudamos, nossa literatura mudou, e isso é tudo.

Cada escritor teve seu livro e seus leitores num tempo determinado, no qual foi promissor para ele. Só que isso não significa que vai ser para sempre assim. Um dia, alguém simplesmente pode querer ler outra coisa, pode querer criar algo completamente diferente, e não tem problema nenhum nisso! Uma coisa não anula a outra.

Não podemos deixar que a nova geração se perca, tem espaço para todo mundo. Literatura tem coração de mãe, e sempre vai caber mais um!


Acho que é isso, espero que tenha feito algum sentido
Mare

⇑ O post começa de verdade aqui ⇓

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