Eu vou falar desse cara da foto, que por acaso se chama Chuck Palahniuk; ele escreveu Clube da Luta. Eu escrevi sobre ele, e sobre mim, e talvez, sobre você…

                Pensar em algo que possa ferir nossa moral, no século XXI, é difícil. Não porque nada mais nos agrida, mas porque já foi visto de (quase) tudo. Muitos valores foram perdidos e/ou corrompidos pela sociedade que mudou (e muito!), mas é fato que o conservadorismo deu margem às desinibições dos tempos modernos. Minha principal questão é: por que, ainda assim, as pessoas se ofendem tanto com Chuck Palahniuk?

                Por exemplo, a pornografia: o que era repudiado e mantido em segredo, por ser moralmente proibido, hoje é uma das maiores redes de entretenimento do mundo. Ninguém esconde mais. Existe todo tipo de meio para acesso: revistas, vídeos, filmes, livros. Até mesmo o erotismo, que deveria seguir pelo mesmo descompasso moral do pornô, encontramos em livros, que até então, são juvenis. Ainda que não sejam explícitos, livros (que CRIANÇAS leem!) possuem cenas de sexo, implícitas ou não, com menção ou não, mas elas estão ali, e não enganam a ninguém. Quer um exemplo bocó? Vamos lembrar da cena de sexo oral em Quem é você, Alasca? (2005) e quantas crianças não simplesmente devoram John Green.

                Um exemplo ainda melhor, maior e mais prático: novela. Já entendeu, né? Nada agride mais a moral e entretém as famílias (mais tradicionais) brasileiras, sem que, muitas vezes, elas se deem conta disso.

                Vamos admitir que o acesso à internet possibilitou a ruptura do conservadorismo, afinal, agora podemos ver o que bem entendemos, como bem entendemos e onde bem entendemos. Mais difícil controlar os púberes impossível.

                Os livros de Palahniuk não são para qualquer pessoa, não são do tipo para recomendar numa sala de aula e não esperar que as pessoas não fiquem apavoradas. Aliás, é preciso ter uma mente muito aberta para não ficar ofendido com suas obras. Para mim, particularmente, essa é a maior graça do que ele escreve. Palahniuk cospe verdade o tempo inteiro na sua cara. Ele diz claramente como o mundo é, e fala de coisas absurdas, como a masturbação de um demônio (Condenada, 2011) de um jeito banal e quase inocente. Ele fala todos seus absurdos de forma tão simples, que, por mais que você fique chocado, é bem menos do que realmente deveria ficar. Além do mais, citando o próprio autor “a verdade não brilha nem reluz” (Sobrevivente, 1999).

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                Os livros são pesados sim, são críticos sim, são SINCEROS sim. Chuck diz todas as verdades sujas da sociedade na sua cara e ainda ri de você. Mas por que todo mundo se sente tão ofendido? Por que repudiam seus livros? O autor diz as verdades que ninguém mais teve coragem de dizer, e ainda assim, qual a necessidade de rejeição? Ele fala (criticamente) sobre várias temáticas delicadas da sociedade: sexo, religião, violência, consumismo e vários outros. Como eu disse, não é difícil se sentir ofendido, mas com um pouco de interpretação, com um mínimo de senso crítico, por que não pensar a respeito do que ele tem a dizer? Não é necessário concordar com ele para entender seu ponto de vista. A literatura de Palahniuk funciona de um jeito bem mais fácil. Mas é como dizem: “a ignorância é sinônimo de felicidade”.

                Acredito que a maioria das pessoas não gostem de ouvir o que precisa ser dito. Que elas preferem uma historinha boçal e se contentar a ler algo com um conteúdo crítico fundamentado. Sinceramente eu não sei. Não sei qual é a desse falso pudor com os livros. Aliás, com qualquer livro, existem diversos outros autores que vão fazer textos ácidos e grosseiros, que de fato, não serão para qualquer leitor. Mas não porque exijam que você compactue com suas ideologias, mas vem com um pré-requisito: não ser babaca.

                Porque não creio que sejam livros para serem apenas lido como romances banais de qualquer prateleira. São para serem questionados, pensados, problematizados. São livros para serem entendidos.

                Por fim, um conselho de amiga leitora: não critique um livro que você não entendeu.


Olha bem pra carinha do Chuck e vê se ele tá preocupado com sua opinião ❤

Mare

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