Li mais uma vez o meu livro favorito. Eu Sou o Mensageiro. Markus Zusak.

É bem verdade quando se diz que conseguimos captar coisas novas a cada repetida leitura e foi exatamente o que aconteceu.

Eu leio muito. Ou o bastante. Esse ano, principalmente, no qual eu consegui ler autores realmente ótimos e que me acrescentaram muito, como Bloch, Palahniuk, Chambers, Süskind…

Eu faço literatura e nem por isso caio nessa de me apaixonar pelo cânone, e só por ele. Pelo contrário, eu sofro na heresia de amar um best-seller. Que vergonha, Mariana. É complicado quando me perguntam quem é meu escritor favorito, é uma senhora pergunta cretina. Mas eu tenho certeza de que Zusak está nesse meu meio.

Acontece é que nenhuma outra narrativa me influencia tanto a escrever como a desse cara. Como a narrativa, especificamente, de Eu sou o mensageiro. Nenhuma história me faz rir e chorar (literalmente!) como a desse livro. Nenhuma me deixa tão desolada quando as páginas se findam.

É um livro que fala basicamente que qualquer idiota consegue fazer algo de bom por outra pessoa. E isso é incrível. E isso, aliás, me faz pensar em como eu fico feliz em ouvir “tenha um bom dia” quando saio de uma loja, e o quanto vejo as pessoas felizes (e surpresas!) quando eu digo “tenha um bom trabalho”. Isso muda o dia de alguém. E olha que são apenas palavras. “Apenas”.

Eu só sou mais um ser humano estúpido no mundo. E eu posso fazer algo por alguém.

O propósito disso nem é fazer com que você termine de ler o texto e saia cumprimentando as pessoas. Seria ótimo se você o fizesse, mas.

Só quero falar desse livro, do protagonista que recebe ases com endereços e precisa achar o que mudar naquele lugar, fazer o bem pra alguém. E eu fiquei pensando que cada um de nós tem o ás que merece, mas ele vem vazio. Acho que pra gente, pra fora de um universo fictício de literatura, nós que escrevemos os endereços em ases. A gente que tem que achar um endereço e fazer algo por ele, ninguém vai te dar uma dica.

A gente é tão desligado desse tipo de coisa, acha tudo tão cafona. Mas quando alguém sorri, oferece bom dia e um café, tudo mundo curte, né não?

Fazer algo por alguém também é fazer algo por você. E fazer muito.

É um livro comum, com uma história incrível sobre uma pessoa comum. E talvez por isso seja mais incrível ainda. Talvez por isso mexa tanto comigo.

De toda forma, se não for te valer a leitura, vale a lição.

Isso não é uma resenha, é um relato de quem leu várias vezes uma mesma história e se apaixonou por ela mais uma vez. Um livro que vale a pena que se perca tempo lendo. E é isso.


Mare

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